segunda-feira, 29 de julho de 2013

Simplicidade

Cada dia que passa estou mais mergulhada no processo da simplicidade. De ter menos, de querer menos. De querer ser simples, ser pouco. Ser só o essencial.

Cada dia que preciso ir a um shopping, que fico presa no engarrafamento, que acordo com o barulho de uma moto na rua ou um carro de som, me aumenta a vontade de ir pra longe. Pra onde o chão ainda não é de porcelanato. O fogão ainda não é cookie top.

Acredito que as relações de trabalho estão MUITO equivocadas. A maioria das pessoas que conheço conseguiriam fazer boa parte de seus trabalhos fora do ambiente da empresa. Poderiam trabalhar home office sem nenhum prejuízo ao serviço. Mas, não. As empresas (e as nossas leis trabalhistas retrógradas) querem que a gente acorde cedo, fique preso no trânsito infernal e vá ao trabalho conviver com gente chata e fazer ~network~.

O sonho de muita gente é ganhar na mega-sena. O meu não. O meu sonho é apenas conseguir levar a vida alguns quilômetros longe daqui. Pra poder ter coisas como horta no quintal, flores pra regar, fogão a lenha pra cozinhar, cheiro de café recém coado, amigos pra visitar.

É a música do Pato Fu que embala esse meu sonho. Mas poderia ser, também, aquela assim: "Eu quero uma casa no campo / Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé / Onde eu possa plantar meus amigos / Meus discos e livros e nada mais...".

"Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia"

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sobre o tempo e os padrões estéticos

É preciso começar dizendo que estou ruminando os dizeres deste post há algumas semanas e que não foi fácil chegar no produto final. Aliás, eu nem sei se posso chamar isso de produto final.

Acredito que não existe UMA pessoa se quer neste mundo que em algum momento da vida não tenha sofrido com sua própria aparência. Desde um dente torto, um nariz não tão certinho, uns quilinhos a mais ou a menos, o excesso ou a falta de curvas, o cabelo muito liso ou muito crespo. Todos nós, homens e mulheres, de algum modo, em algum momento de nossas vidas, já sofremos com os padrões estéticos. Mas, infelizmente, mulheres sofrem muito mais que os homens com a pressão social para se enquadrar em padrões estéticos. Homens gordos são "fofinhos", tem "barriguinha de chopp". Mulheres gordas são "barrigudas", "baleias", "balofas" e "horríveis".

Eu não estou dizendo que homens não sofrem com os padrões estéticos. Estou dizendo que as mulheres sofrem mais que os homens. É só você perder uns minutinhos dando um Google no ranking de cirurgias plásticas e ver o sexo das pessoas que resolveram enfrentar o bisturi. Lá está a mulherada colocando um silicone, fazendo uma lipo, puxando o rosto, dando uma esticada. Clínicas de estéticas são encontradas em todas as esquinas. Recheadas de mulheres em busca do inatingível.

Dia desses saiu uma imagem de como seria a Barbie se fosse baseada no fenótipo REAL da maioria das mulheres, e não na parcela mínima de mulheres que medem 1,70cm, tem as medidas de busto e seio exatamente iguais, cintura fina, são loiras, tem olhos claros e, óbvio, são magras. Aqui as imagens. Agora me diz: com qual Barbie as mulheres reais que você conhece se parecem?

As meninas crescem olhando para as Barbies e sonhando serem iguais a elas. Eu imagino a decepção de uma garotinha negra ao não encontrar nas prateleiras das lojas infantis uma boneca que pareça com si mesma. Ou uma garotinha gorda. Ou uma garotinha com cabelo crespo. Não tem boneca que se pareça com elas! Porque negra, gorda e cabelo crespo é FEIO. E essas garotinhas se decepcionam. Mas só acontece quando elas conseguem adquirir o senso crítico de que aquelas bonecas ~não a representam~ (beijos, Feliciano!). Quando não há esse senso crítico, sabe o que acontece? Elas crescem frustadas e vão viver a vida inteira em busca de uma beleza inatingível. A beleza Barbie, a beleza photoshopada das capas de revistas. Isso é de uma crueldade que eu tenho até raiva só de escrever.

Cresci sofrendo e vendo minhas amigas sofrerem por não ter o corpo que queríamos ter. Nunca era perfeito. O cabelo liso era liso de mais, o cacheado era liso de menos, o seio de uma era muito farto, o da outra era muito pequeno. Era sempre 8 ou 80. Nunca era BOM. Recentemente percebi o quão estúpido isso é. E isso só foi possível porque existe uma coisinha chamada feminismo que abriu meus olhos. Eu, que já era feminista desde muito nova, ainda não tinha percebido o quanto eu me deixava ser levada por essa cultura massacrante do patriarcado de exigir que nós mulheres sejamos aquilo que não somos. Quando percebi, tratei de reler tudo que eu já tinha lido a respeito de pessoas fora do padrão estético e minha conclusão foi a de mandar todos esses fiscais do corpo alheio irem se catar. Me senti tão mais leve depois disso que acho que tudo que eu fizer daqui pra frente será melhor, mais feliz. Todo dia que eu encontro um fiscal do corpo alheio dizendo "nossa, ela podia fazer um regime", "que cabelo RUIM", "coitada, tão magrinha" e qualquer coisa do tipo eu tenho vontade de enfiar a mão na fuça do sujeito.

Se você também consegue ver que nós não precisamos seguir um padrão estético tão exigente, excludente e surreal como o que temos imposto hoje eu quero te dar umas dicas do que fazer para interromper esse ciclo vicioso:
1) Sempre que possível evite dar bonecas do tipo Barbie para meninas. Aliás, evite dar bonecas. Meninas podem brincar com brinquedos muito mais legais que bonecas, batedeiras, ferro de passar e cozinhas de plástico. É sério. Dê um jogo, um quebra-cabeça, uma massa de modelar.
2) Explique para as crianças que te rodeiam que nós não somos iguais. E que o cabelo liso não é mais bonito que o crespo. Que não existe cabelo ruim e cabelo bom. Existe apenas cabelo.
3) Não seja um pai/mãe que alisa o cabelo da filha. Isso não é legal.
4)Nunca use as palavras "gordo" ou "magro" com tom pejorativo. Entenda de uma vez por todas que nem todo mundo que é gordo quer ser gordo e nem todo mundo que magro quer ser magro. Existem distúrbios físicos, psíquicos e alimentares que fazem as pessoas chegarem naquele ponto. E, de todo modo, se a pessoa de fato resolveu que quer ser gorda/magra, isso não é da sua conta. Do mesmo modo que alguém muito magro não quer se matar na academia para ganhar massa muscular e algumas curvas, o gordo pode estar bem feliz sendo do jeito que é.
5) Não sugira dietas, receitas, médicos e nutricionistas. As pessoas costumam ter espelhos (e até balança) em casa. Eles também compram roupas com a mesma frequência que você e sabem que o tamanho deles é 34 ou 50.
6) Aquilo que é bom pra você, é bom pra VO-CÊ. Não enfie guela abaixo o SEU padrão de corpo, felicidade e estética nas pessoas que te rodeiam. Sobretudo se essas pessoas forem crianças.

Definitivamente: se eu viver até uns 85 anos significa que ainda vou viver mais 60 anos. Durante esses 60 anos eu pretendo ter filhos, estudar e viajar. Viajar muito. E, na vida que eu escolhi viver, não haverá espaços para clareamento dental frequente, massagens modeladoras semanalmente, dietas, privações e horas na academia. Acredito que o exercício físico precisa ser prazeroso. Pessoalmente, eu o executo somente para fins de saúde e condicionamento físico. Dispenso conscientemente um bumbum durinho e um abdome definido. Deus que me livre de fazer abdominal todo santo dia (aliás, eu agravei um problema na lombar por causa dos abdominais). Com o perdão do trocadilho, eu abomino abdominais desde então.

Se seus exames também mostram que seu colesterol ruim está baixo e o bom está alto, o triglicérides está ok, o ácido úrico também, porque mesmo você quer se matar na academia e não comer aquele brigadeiro na festinha? Ah, sim. Porque você quer ser uma Barbie. Ou um Ken. E pode até ser que você consiga. Comendo coisas que não gosta, não comendo aquilo que gosta, sofrendo privações, se matando na academia pelo triplo de horas que seria realmente necessário, fazendo uma lipo, colocando um botox, um silicone e, principalmente, deixando de viver sua vida.

PS: Queria só registrar o ódio que eu sinto de gente que procura hotel com academia. Exceto raros executivos que viajam a maior parte do mês e atletas, se você é uma pessoa comum peloamordedeus não procure hotel com academia. Você está de férias, amigão. Devia saber o que isso significa.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Bússola

Meu último post foi em dezembro de 2011. Desde então eu resolvi me afastar desse cantinho em que eu depositava minhas entre linhas. A decisão de fazer um novo post, não me iludo, não é boa. Quando o desejo de escrever se torna uma necessidade é porque as coisas internas não vão nada bem. A escrita sempre foi, na verdade, minha válvula de escape.


Escrever aqui é difícil, porque ao mesmo tempo em que é meu escape, é preciso distanciamento para não expor o desnecessário a quem é desnecessário. Tarefa difícil essa de desabafar em meias palavras. Uma terapia incompleta.


Há cada dia eu tento me conhecer mais. Entender quem sou, o que eu quero. Não chego a uma conclusão única e densa. Sei dizer o que eu não quero e, assim, estou tentando fazer uma lista de eliminação.


Mas relendo coisas antigas eu cheguei a conclusão que não mudei tanto quanto achava que tinha mudado, e que (felizmente) minha essência ainda é a mesma. Ainda sou uma sagitariana clássica. Aquela que não consegue se sentir bem se estiver presa entre as paredes pintadas de bege de um escritório qualquer.


A rotina me consome por inteiro. E acaba comigo. Quanto mais dias eu passo com a rotina, mais eu me acabo. Eu preciso de ar puro. De aventura. De coisas novas. Da não-rotina.


A sensação de agora é que meus sonhos estão ficando pra trás, enquanto as horas, dias e anos passam voando por mim e balançam meu cabelo. É o vento gelado cortando meu rosto que me lembra que mais alguns minutos se foram, e jamais voltarão. E que enquanto eu não me movo, os dias continuam voando, indo embora com o vento, arrastados...


Eu sinto que quanto mais eu aperto meus sonhos, mais eles se esvaem entre meus dedos. Escorrem e se vão sem eu poder catá-los de volta.


Na falta de saber ao certo que caminho tomar, que rumo seguir, onde o norte está, vou anotando o que tenho de certeza, que é pra não esquecer amanhã...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"Adeus ano velho, feliz ano novo..."

Taí uma coisa que nunca fiz: retrospectiva do ano vivido. Aquela coisa de: “alcancei os objetivos que me prometi na virada?”. Nunca fiz. Mesmo porque enquanto os fogos são vistos, as taças são levantadas e todo mundo se abraça fingindo que se ama, eu nunca consigo fazer grandes pedidos, estabelecer metas. Mas 2011 foi um ano que não rendeu: perdeu-se muito (mas muito mesmo!) tempo com mimimi e, consequentemente, sobrou pouco tempo para somar coisas proveitosas à vida.

#Adeus 2011: Quando 2011 acabar eu direi com prazer: já foi tarde. Se 2011 tivesse um slogan certamente seria “2011, um ano para se f***r”. Olha, taí um ano que me ferrou sem dó nem piedade. Nem um mês se quer sem ter um problema imenso, uma decepção, pepinos, abacaxis e todo o horti-fruti pra descascar. 2011, o ano para conhecer as pessoas detrás das máscaras. Um ano para se superar. Aliás, outro excelente slogan seria: “levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. Agora nos “finalmentes” até que ele foi perdendo a força e me sabotando menos. Talvez seja a proximidade de 2012.

Não posso ser injusta: também teve coisa boa. Foi o ano em que do primeiro ao último dia eu morei num lugar pra chamar de meu: em paz, comigo, com Deus e com as pessoas que escolhi. O gosto da palavra “liberdade”, com seus sabores e dissabores, me agrada mais do que qualquer coisa me agradou neste ano. Conquistei boas coisas, reafirmei poucas e boas amizades, apertei mais alguns laços que nunca irão se desfazer. A ÚNICA parte boa da dor é poder reafirmar alguns laços. Aqueles que temos certezas que nunca serão rompidos.

2011 em poucas palavras: Me ferrei, chorei, sofri, sobrevivi, me surpreendi, me decepcionei, vivi mais intensamente do que nunca, e mais do que eu queria viver. Em um ano amadureci dez. JK teria inveja. Agora, é a hora de colocar na balança os momentos, erros e acertos e aprender com a vida. Independente das ferradas que levei e das alegrias que tive, me mantenho firme e forte no pensamento de que Deus nunca nos dá um fardo maior do que suportamos. Então, por tudo, tudo mesmo, que Ele me deu neste ano, eu agradeço de coração. Porque os tapas que levei da vida certamente servirão para alguma coisa lá na frente.


#2012, SEU LINDO:
Olha, 2012 não precisa ser bom, extraordinário. Se ele for só menos ordinário que 2011 eu já fico feliz. Mas uma coisa ele precisa: render. Muita coisa a ser feita, muitos sonhos para realizar, é muita vida pra viver, minha gente! Os momentos cortados, os sonhos podados, os risos contidos de 2011 precisam extravasar. Uma meta: gastar menos tempo, esforço, trabalho, com coisa/gente que não merece nem um segundo do meu tempo. É assim que o tempo rende, que a vida segue, que as coisas são conquistadas. Se essa meta for seguida ao pé da letra, tenho certeza, 2012 já terá valido a pena.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Alpinismo

A vida é assim: você toma um tombo, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Quando você já até se esqueceu do tombo e está se achando na crista da onda, a vida vem e te dá um tapa daqueles de novela, te bate forte que é pra você acordar do sonho bom.
Não se iluda: isso aqui não é para os fracos. Isso não é um mar de rosas. Levanta de novo, sacode a poeira de novo, vamos que vamos. Até o próximo tombo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O prefixo

Fico vendo pessoas que levam mágoas por anos a fio de sua vida e me pergunto que fim elas querem da situação. Me pergunto se as pessoas que vivem de mágoas e rancores não sabem que, no fundo, esses sentimentos pobres fazem mal, na verdade, à eles mesmos.

Frases como "eu não esqueço disso" não fazem mais parte do meu vocabulário. Não mesmo. Posso sofrer, posso me magoar, pode demorar a passar. Mas desejar o mal, remoer momentos, não. Isso não faz parte de mim.

Posso ficar mais reclusa, posso me afastar um pouco, ter meu espaço para organizar meus pensamentos. E só. Posso querer a distância, mas nunca o mal. Quem não está preparado para perdoar, está pronto para viver?

Guimarães Rosa já dizia: "infelicidade é uma questão de prefixo". E é. Tristezas, problemas, momentos (muito) ruins virão hoje, amanhã e sempre. Às vezes poderemos evitá-los, mas nem sempre. Quando forem inevitáveis teremos que conviver com cada um desses momentos, e sobreviver.

O que diferencia uma pessoa da outra não são os problemas, mas o modo de lidar e de se recuperar de cada um deles. E o meu jeito é assim: encarando o problema, sofrendo por três dias e me levantando no quarto. Porque sofrer pela eternidade não está em mim. A minha felicidade é sem prefixo, obrigada.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Desabafo

Eu precisava vir aqui. Desabafar, contar, dizer. Para mim mesma, para ninguém. Para os ecos, para as paredes, para o nada, para o tudo. Precisava.

Li dia desses, em um lugar que não consigo me lembrar qual, alguém comentando sobre o fato da Demi Moore estar magérrima. E disseram "é fácil julgá-la", ao ver uma fotografia de seu corpo tão magro, "mas só ela sabe à que custo tem dado aquele sorriso". E me apeguei à isso: é fácil me julgar. Vem cá se colocar no meu lugar e vejamos se você consegue se manter de pé e esboçar um sorriso à duras penas como eu. Vem cá participar de eventos e ter de sorrir uma felicidade que nem existe.

Não me desespero. Não enlouqueci (pelo menos ainda). Mas, será que posso ser triste pelo menos quando o meu mundo está assim, digamos, por um fio? Quando tudo e mais um pouco já deu errado e não tem mais por onde caminhar e você precisa se reinventar, escrever novos caminhos, será que você pode se dar o direito de ser egoísta? Pelo menos nessas horas você tem o direito de ser só você? O mundo tem me dito que não.

Mas não estou aqui para culpar o mundo. Chega de culpas, chega de erros. Eu quero é viver. Viver. Essa coisa tão fácil e tão difícil, que a gente não sabe definir direito. Que a gente não consegue aprender como fazer.

No fundo, a única certeza que se pode é que tudo passa. Tudo - o que é bom, o que é ruim. Mas, enquanto não passa, me reservo o direito de ficar comigo mesma. De chorar quando me sinto sufocada. De ficar ao lado só de quem realmente me quer bem. E esses outros clichês que todo mundo já conhece.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Change (again)

Há quanto tempo não venho aqui... Neste tempo, quantas e quantas coisas mudaram. Hoje, em apenas poucas horas, coisas que construímos durante meses, durante tanto tempo, mudaram, modificaram, como se fosse tudo muito simples. Porque se tem uma verdade nessa vida é: você demora a construir, mas poucos segundos são necessários para destruir.

Esse blog sempre falou demais de mim, dos meus pensamentos, do eu, do ego. Se tem algo que mudou neste tempo é exatamente isso: está na hora de falar algo que sirva para os outros, que não seja algo tão meu.
Odeio despedidas. É inevitável não chorar (e geralmente eu debulho em lágrimas, como fiz hoje há pouco). Mas está na hora de me despedir daqui também. Agora eu estarei aqui.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Desde criança!

Ontem eu fiz uma coisa que sempre gostei, mas que há muito tempo não fazia: ler gibis. Quando criança eu lia vários, na maioria das vezes da Turma da Mônica. Achei incrível pegar as revistinhas e lembrar das capas, e até de alguma histórias! Sinal que isso realmente marcou minha infância. Ao invés de ficar perdendo tempo com jogos bestas no computador, resolvi esperar o sono chegar dessa forma, e que bom que foi assim. Tem coisa mais gostosa do que fazer uma coisa simples e gostosa pra relaxar? Quando terminei de ler, virei para o lado e dormi feito criança. Uma criança que adorava ler gibis, que cresceu e pelo visto ainda se diverte com eles...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

I'm a neurotic

Tá. Então hoje eu acordei com o pé direito e feliz em um momento pós páscoa e resolvi cutucar a onça com vara curta. Disse alto: - Hoje eu to de bom humor. Bom dia, segunda-feira! Nem você estraga meu humor hoje!!

Ai a segundona, maldita invejosa, resolveu mostrar seu poder. Primeiro ela me deu o gostinho de ter um manhã agradável e me deixar na ilusão de que sou mais poderosa que ela. Mas ai, depois do almoço, ela deu o troco. Desliguei o carro, abri a porta, desci. Chave caiu no chão, abaixei, peguei. Quem disse que levantei de novo? Tomei um jeito daqueles na coluna e segundona me provou que, oi, quem manda aqui é ela.

Então tá. Fico aqui sentada, com dor, sem poder andar. Daqui a pouco tenho que dirigir no abençoado anel rodoviário, apresentar um trabalho e sorrir num festival de tortas. Dorflex, eu amo você. Segundona, inveja mata, ok??


Eu sou neurótica, eu sei. Mas nos momentos de dor alguém ai raciocina direito?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Cho-ca-da

Então hoje eu descobri que a humanidade está mesmo perdida. Ou pelo menos parte dela.
Minha funcionária novata (que nem é tão novata assim, quase dois meses já, pô!), escreveu pense com c. Sim, ela escreveu pence. E não foi um equívoco. Se você pedir ela escreve pence quantas vezes você pedir.

Há um mês pedi pra ela melhorar um controle antigo, que uma ex funcionária fez. (Importante ressaltar que a funcionária foi demitida devido a incompetência). Odeio tabelas do Word, afinal o Word não foi feito para tabelas. Para tabelas existe o Excel, né? Ai ela demora um mês pra fazer o controle, porque uma pessoa que se propõe a uma vaga de auxiliar administrativo não sabe mexer no Excel, mas deixou pra revelar isso depois. Ok. Respira fundo.

Arquivo no Excel criado, qualquer ser humano pensante faria o que?? Eu, particularmente, jogaria o velho e ultrapassado fora e usaria o novo. Não. A esperta da novata não imprimiu o novo controle e continuou usando o velho. Fazer novo controle pra quê se é pra usar o velho, gente???

Ai, como se não bastasse descobri que ela não sabe abreviar palavras. Sério. A pessoa não sabe que existe diferença entre Sr. e Sra. Logo, ela escreve Sr. Lorena, porque pra ela é tudo igual.

Esse post não é pegadinha, eu juro. Existem pessoas que sentaram a vida toda num banco de escola e aos 27 anos não sabem nem a própria língua. E ainda se candidatam a uma vaga de escritório sem saber o mínimo do pacote office. Vergonha alheia queima minha face nesse momento.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O leite derramado

Sempre fui estourada, estressada, nervosinha, ou seja lá como chamem. Sempre. Mas com o tempo, com a maturidade, aprendi que temos lá nossos momentos de nervosismo, de implicância e coisa e tal. Mas que também temos que saber o momento de ser mais contido, de manter a língua dentro da boca e a cabeça e nervos no lugar. Complicado, sim, eu sei. Porém, fica mais complicado ainda quando resolvemos bater boca a toa. Se o problema existe, na hora de resolver não adianta discutir quem causou, de quem é a culpa. Nessas horas, danem-se os culpados! A gente precisa é concentrar na solução ao invés de chorar o leite derramado. Tenho visto gente chorando e brigando por ai pelo leite que já se foi pelo ralo. Quanto perda de tempo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Changes

Eita! Há quanto tempo não passo por aqui, não escrevo meus desabafos! Aliás, eu vinha. Mas não escrevia. Nesse tempo todo eu sofri de uma falta de assunto esquisita. Ou achava tudo muito chato, ou tudo muito discutido por milhões de blogs, que o assunto ficava chato também. Sofri também de chatice aguda, de mau humorité. De achar que tudo tava sem sal, sem gosto demais, e que nada merecia um post.
Não mudei muito de ideia (sem acento, argh).Continuo achando que a Terra está girando pro mesmo lado, como sempre. Que as pessoas continuam egoístas, que tudo nunca muda. E é aí que está a novidade: as coisas nunca mudam. O que muda é a gente.
E o quer seríamos nós sem isso? Sem a mudança, sem as novidades? Sejam boas, sejam ruins, sejam mais ou menos, que venham as mudanças, precisamos delas... Porque tudo igual, tudo sem igual, mares sem ondas, prais sem conchas, não, não é legal, não é bonito, não é interessante.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eu devo ser o Bozo...

Eu fico irritada com o excesso de intimidade que as pessoas julgam ter. Quando você chega num lugar, acabada, tanto emocional quanto fisicamente, e neguinho se acha super no direito de julgar você. De julgar seu cansaço. De julgar seu sofrimento... seu e da sua família.

Se "dia cheio todo mundo tem", olha, eu não sei o seu conceito de dias cheios e difíceis. No meu conceito um dia de problemas no trabalho, de muito serviço, de aula chata na faculdade... não isso não é difícil. Difícil é ver sua família desmoronando. Difícil é ver pessoas que você ama em um estado deprimente. Ter que fazer força. Força física para suportar o peso de alguém em seus braços. Força psicológica para segurar a barra. Você não deve saber o que é isso. Você não deve saber o que é segurar sua família e sua empresa nas costas. Você não deve saber o quanto dói ter que suportar tudo isso. Fazer de tudo para melhorar a situação, e as coisas só piorarem. Não, disso você nem faz idéia.

Então, eu não te dou o direito de gritar comigo e exigir mais do que o necessário. Sim: o necessário. Porque eu não sou obrigada a fazer mais do que o resto das pessoas fazem. E eu não te dou o direito de julgar que acha que sabe o que estou passando. Porque, meu bem, preste atenção: você não sabe! Aliás, você não faz nem idéia.

Se isso pra você se chama amizade ou o cacete, o problema é teu. Isso pra mim se chama falta de respeito. Achar que você pode apontar o dedo na cara dos outros e que nada acontece. Achar que você é melhor que todo mundo. Achar que todo mundo tem que ser igual à você. Pensar agir conforme você dita. Comigo não é bem assim. E se você não se importa, por favor, me deixa em paz.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Feminismo?

Acho que eu nunca tive tempo de criticar aqui o machismo. Já critiquei o falso moralismo e a hipocrisia, mas nunca o machismo da sociedade brasileira. Então, hoje eu me deparei com um caso bárbaro que ocorreu em São Paulo, numa universidade (particular, diga-se de passagem). Por isso hoje eu não vou escrever. Porque tem um texto tão bom e que reflete tanto o que eu penso, que se eu falar alguma coisa, estraga. O texto é do Boteco Sujo, e pode ser lido aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar..."

Eu não tenho religião. Sou batizada em duas, mas não sigo nenhuma. Mas creio em Deus. Eu o chamo de Deus, mas você pode chamar como quiser, acho que ele tem diferente nomes - que vão de Papai-do-céu a Alah. Mas eu também comecei a crer que astrologia faz algum sentido (não pode ser coincidência!). E que outras coisas "estranhas" também fazem. E acredito que uma coisa não elimina a outra, e que tudo está relacionado.
Eu ando meio de saco cheio de algumas coisas. De alguns professores, de algumas pessoas. Eu ando de saco cheio de brigas desnecessárias. De gente que não sabe amar. É que muita, mas muita coisa mesmo, não tem saído de um jeito legal. Na verdade, pra ser bem sincera, nas últimas semanas eu tive uma vida de cão. Não cães moderininhos e de lacinho cor-de-rosa, mas cães vira-lata mesmo. O interessante de tudo isso é que, por mais que o desespero batesse, alguma coisa estava me dizendo que no fim ia dar certo, e que eu iria superar. E isso eu chamo de fé. No meu Deus. Num Deus que é compreensível e sensato.
O melhor conselho que já ouvi: "Nunca se pré-ocupe. No fim tudo da certo, se não deu certo é porque não chegou ao fim". E pra completar uma frase da Cássia Eller, minha diva: "Não existe o certo ou o errado. Você faz o que pensa que acaba dando certo".
Eu ando seguindo a vida assim. Fazendo o que eu acho certo, com fé, sem hipocrisia e sem rituais, e torcendo comigo mesma pra que dê certo. E eu sei que vai dar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ignorando

Então. Hoje eu estou brincando de uma brincadeira nova. Ela se chama "ignorando". Vem do verbo ignorar. Ato de fingir que não está vendo as pessoas agirem como idiotas, entende?
Funciona assim: você escolhe um abobalhado qualquer que fica importunando sua boa vida e ignora. Ele te manda e-mail, você não responde. Ele te liga, você não atende. Ele te chama, você responde com monólogos. Você simplesmente abstrai a pessoa desagradável da sua vidinha... Finge que nada está acontecendo. É bem simples e funciona bastante! Serve pra economizar a pouca paciência que me resta!
De agora em diante, agiu como idiota recebe o selo "ignorando mode on". Porque eu to fora de gente chata que fica agindo como idiota por ai! Ponto final.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Oração

Já faz um tempo que a Camilinha me disse uma espécie de oração que eu não quero esquecer:"Entrego, confio, aceito, agradeço". Em muitos momentos eu disse à mim mesma: entregue, confie, aceite e agradeça. E é isso que agora eu repito a todo momento. Mas em uma intensidade e confiança que nunca havia dito antes.
Sem ansiedades, sem dor. Apenas entregando a uma força maior que eu o rumo das coisas, da minha própria vida. E confiando. Confiando que Ele vai fazer o que for melhor - não para mim, mas para nós. E eu vou aceitar esse destino com a pacificidade de quem confiou. E agradecer por ter sido como será.

Só para não perder o costume, a música da semana. Ou talvez do mês.

"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar"

UPTADE:
Parece que quanto mais você confia, mais coisas boas começam a surgir. E eu tenho enxergado sinais. Primeiro, a música linda da Lauryn, lá no blog do Humberto. E agora eu descubro que a minha "oração" é, também, um trecho de uma música do Forfun (banda que eu nem curto). Agora eu tenho oração musicada. Lindo. Eu vejo sinais que me apontam um caminho menos turbulento. Obrigada.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Gentileza

E quando a gente se desespera, perde o controle de tudo - até de você mesmo - de repente você percebe que existe mais gente nesse mundo. E que essas pessoas valem a pena. E que, em números e em potencial, são maiores que as que não mereciam uma vida tão boa.
E acabo percebendo que é muito bom poder contar com gente assim. Que é muito bom o significado de compartilhar. E que existe gente disposta a ajudar - sem querer absolutamente nada em troca.
E percebo, também, que nada importa quando estamos vivendo alguns momentos de nossas vidas. E aproveita cada segundo, que pode não ser o último mas é único. E tem vontade de gritar pro mundo todo que, ainda bem, ainda existe coisas que fazem nossa vida valer a pena. Coisas, momentos, pessoas. Tudo muito gentil e especial.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Vai dar merda!

Estranho fazer uma coisa meio que por obrigação. Pelo menos para mim, que sempre procurei fazer todas as coisas por gosto. Mas dessa vez não. Esse penúltimo período vem se aproximando de mim como um fardo chato e gordo, que eu não quero carregar. Parece aquele vizinho que é um chato e você sempre desvia dele na rua. Eu queria desviar desse semestre. Atravessar a rua e cair diretinho na colação de grau!
O que mais me incomoda é que eu nunca tinha ficado com tanta preguiça da volta as aulas. Nunquinha mesmo. E, pensando muito, eu vi que a preguiça está nas disciplinas específicas da minha habilitação. Meu Deus, quem foi que teve a idéia abençoada de nos obrigar a ter vídeo institucional??? Definitivamente essa disciplina bem que podia ser opcional - quem se interessasse ia lá e cursava. Meu foco em RP passa muito longe de fazer vídeos institucionais. Por mais que um dia eu possa precisar saber disso, acho que Linguagens Digitais já me deu a base necessária para acompanhar a produção de um vídeo. É um pouco contraditório que um curso com foco em gerenciamento tenha uma disciplina de especialista.
Em plena segundona, lá vou eu ter duas aulas de vídeo, obviamente o sonho de qualquer pessoa. Juro que estou tentando me animar e até gostar da matéria, mas pelas referências que já houvi, saber que vou ter uma professora que pensa que você só faz a matéria dela, meu, não vai dar certo.
Estou tanto com outros focos e projetos tão mais interessantes que "Vídeo Institucional" e "RP e Organizações Sociais", que dá vontade de chutar o balde. Porque eu tenho certeza que do jeito que eu to engajada na idéia de conseguir 60 pontinhos, passar e esquecer essas disciplinas, vai dar merda!