quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diferença entre teoria e prática!

Sabe aquele papo de comunicólogo de que sua profissão é injustiçada, de que ninguém entende realmente o que a gente faz? Pois é. Maior papo furado!
Sabe aquela historinha idiota que te contaram - e que você acreditou - de que publicitários realmente são importantes, jornalistas realmente tem ideais e relações-públicas não são secretárias? Pois é. Mentira. Balela.
Jornalistas são um bando de pau mandado, que recebem uma merda de pauta e tem que executar, querendo ou não, gostando ou não. Publicitários são um bando de porra louca, que usam sua criatividade para ajudar empresas que tem péssimos administradores no controle a não falirem. Enquanto isso podiam usar sua criatividade em coisas bem mais legais; mas não podem. Relações-públicas são secretárias disfarçadas. Fazem aquela assessoria fulera, puxam cadeira pro chefe em evento, chamam o táxi. Estudam horas a fio para descobrir como se coloca uma bandeira no mastro. Organizam aquela festinha de final de ano que todo mundo sai falando mal. Sim, esses são os comunicólogos! E pra isso tudo ganham o mesmo tanto que o carinha da sua sala de ensino médio que não fez nenhum curso superior. Trabalham muito mais do que 44h semanais. Legal, né?
Quando alguém vem com esteriótipos falando de nós comunicólogos, que direito temos de nos zangar? Na verdade, somos isso aí mesmo. Nos vendemos para empresa que pagar mais, estudamos coisas sensacionais na faculdade, mas que nunca vamos aplicar! Não importa o quão legal seja fazer um puto planejamento, você nunca irá aplicá-lo! Porque os idiotas da administração acham que sabem mais que você. E seu lugar é naquela salinha lá no final do corredor organizando a festinha de natal, fazendo o jornalzinho, o cartazinho, o convitinho.
A realidade da comunicação social é muito diferente do que está na teoria. Quando se fala de RP, aí é pior! Pra começar: defina sozinho, em um parágrafo, o que é RP, sem se esquecer de nada. Certamente você não fará uma definição completa e convincente - e a culpa não é sua. E é bem provável que você fale de funções que não são nossas.

De acordo com a regulamentação:
As funções de Relações Públicas estão expressas no decreto n.º 63.283, de 26/9/1968, que regulamentou a profissão. Consideram-se atividades específicas de Relações Públicas as que dizem respeito:
a) à orientação de dirigentes de instituições públicas ou privadas na formulação de políticas de Relações Públicas;
b) à promoção de maior integração da instituição na comunidade;
c) à informação e a orientação da opinião pública sobre os objetivos elevados de uma instituição;
d) ao assessoramento na solução de problemas institucionais que influem na posição da entidade perante a opinião pública.
e) ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;
f) à consultoria externa de Relações Públicas junto a dirigentes de instituições;
g) ao ensino de disciplinas específicas ou de técnicas de Relações Públicas.

E ai? Onde diz que eu devo organizar eventos? Ser uma assessora pessoal do presidente? Pra mim a definição mais realista de RP é essa: Relações Públicas é o setor responsável por contar as coxinhas na festa da sua empresa e por tentar fazer a sua empresa ou organização parecer menos picareta, malvada ou incompetente. Afinal de contas, ser RP ou fazer parte de um cerimonial, na maioria das vezes dá na mesma.

Triste, mas real. Quando o curso tá terminando é que a gente deixa de se iludir. Fazer comunicação é igual ser mulher de malandro: gostar de apanhar. A gente apanha, sofre, mas não muda de profissão. Morre pobre, morre explicando que cerimonial e RP são coisas distintas. Mas morre gritando pro médico que você é um RP! Vídeo realista em homenagem à nós.

8 comentários:

Camila Florêncio disse...

ADOREI!!

Everaldo disse...

Pessimismo pouco é bobagem.

Eu sigo iludido(?); é melhor assim. Pelo menos faço uma coisa que eu gosto.
Agora vai dizer que não vale a pena ser bem informado, ter capacidade de elaborar, ser crítico, analisar.

Na boa. Não sou muito fã de quem 'cospe no prato que come'. A gente não pode esquecer que a Lei da selva predomina. Mas se houver em algum momento oportunidade para fazer diferente eu quero estar pronto e fazer. Valerá a pena.

Só não vendo minha alma pro diabo. Isso eu não estou disposto a fazer.

O phoda [como dizem os antigos] é que a comunicação virou 'o curso da moda'. Todo mundo quer fazer, aí desanda o trem todo.

Everaldo disse...

Eu tenho certeza de que não foi um médico ou advogado que despertou em você a vontade de ler/escrever blog. :P

Lorena Pôssa disse...

Everaldo,
Não é pessimismo. Eu sou até bem otimista! Tanto é que não desisto, e morro comunicóloga. Pior: ainda quero lecionar nessa área. Atrair mais seguidores! rs.
Mas é porque essa conversa de profissão injustiçada já cansou. RP realmente é quase um profissional de cerimonial, fazer o quê?
Fazer diferente? Todo mundo quer. Eu também! Quero ser uma puta RP, fazer planejamento, fazer coisas que façam diferença. Mas é fato que as chances que terei de ser só mais uma RP/cerimonial é bem maior do que as chances que o mundo oferece para ser uma RP de verdade...
Só não quero iludir e achar que vou formar e sair por ai fazendo a diferença. Porque é fato que isso vai demorar um pouquinho...

Humberto disse...

Lorena, mulher, eu sou seu fã. E, definitivamente, a gente tem alguma ligação de outra vida, sei lá.

Não vou comentar o post. Só vou dizer que, por algum motivo, depois de o ler eu resolvi ler o primeiro post do seu blog. E eu sorri, primeiro porque a primeira imagem é de um par de All Star (não falei da ligação?), e depois pelo conteúdo (que eu acho que se conceta com o do post de hoje).

Você é uma pessoa iluminada, Lorena. E é um prazer indescritível ler o que quer que você tenha a dizer.

Beijo.

Rute Faria disse...

Aí desculpa. Mas eu também não concordo. Cada um sabe o quanto a profissão que escolheu representa. Os resultados e a prática? Depende apenas de nossas escolhas. Mas respeito sua opinião Lorena. E continuo com a a minha: http://escrivaninhadigital.blogspot.com/2008/12/fui-infectada.html

=*

Everaldo disse...

"isso [fazer a diferença] vai demorar um pouquinho..."

Verdade.

É que eu, em momento algum, costumo disseminar o discurso da derrota. E bato o pé com quem insiste em subestimar a profissão que escolhi.
Cheia de erros e acertos é como qualquer outra.

Detesto o espírito vira-lata de brasileiro; o conformismo [existe essa palavra?] me incomoda; a bajulação me enjoa e as dificuldades me testam o tempo todo, fazendo com que eu abra os olhos.

Estamos aí pra isso: fui contestado [e ainda sou] várias vezes durante o curso.
Fui colocado à prova muitas vezes Lorena.
É por isso que, quando a porta do auditório abriu para os formandos entrarem na colação de grau a primeira reação que tive foi ter os olhos cheios d'água provando o que mais gosto: fortes emoções.
Com o passar do tempo, alguns reconhecem: o que eu ouvi de gente falando que meu curso era ver filme e ouvir música.. pqp, mas sabemos pelo que passamos. É por isso que não dou o direito para espizinharem minha escolha.

:)

PS.: Fortes emoções = Mineirão hein... rsrs

breno costa disse...

"É por isso que, quando a porta do auditório abriu para os formandos entrarem na colação de grau a primeira reação que tive foi ter os olhos cheios d'água provando o que mais gosto: fortes emoções."

noss... só de lembrar... pqp!!!