sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre a pobreza

Não, não vou falar de dinheiro. Nem de programas sociais. Porque pobreza, muito mais que uma situação econômica, é um estado de espírito. É muito mais que não ter uma grande casa ou carro do ano. É muito mais que não ter uma tv e um celular de última geração. Pobreza é uma coisa que vem de dentro. É algo que independe de contra-cheque, de extrato bancário. Vem do agir e do falar. Vem da essência. Vem da educação, do tom de voz e da escolha das palavras. Vem da cultura que se quer adquirir. Vem do se portar frente às pessoas. Vem de dentro.
Pobreza, na verdade, não tem relação com dinheiro. Talvez, tenha mais relação com DNA, com espírito e com vontade. Pobre são aqueles que são acomodados. São aqueles que conversam gritando. Que se perderam da boa educação. São aqueles que entram em um carrão importado e abrem o vidro para gritar com o carro do lado. Que fecham os outros no trânsito. Pobre é o Sarney que já tão bem de vida pagou com dinheiro público 12 mil mensais à seu mordomo. Isso sim é um pobre: querer ganhar vantagem em tudo. Se achar melhor que os demais. Porque pobreza, repito, é um estado de espírito. E isso nem ganhar na mega-sena resolve. Isso vem de dentro, não se compra.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Apatia

Apatia
s. f.
1) Falta de energia;
2) Indiferença;
3) Indolência.


Não consigo entender a lógica de se fazer pela metade. A razão de se ter um copo meio vazio. Qual o sentido em não se dedicar por completo, em dar tudo de si? Porque não fazer o 100%, por que não fazer o impossível? Não consigo entender a lógica. Nunca fui boa com lógica, aliás. Talves seja isso. Porque eu simplesmente não consigo dar pontos à quem faz pela metade.
Mais do que isso. Não consigo entender quem tem sonhos miudos, quem pensa tão pequeno. E mesmo tendo tão micro sonhos, não corre atrás de nenhum deles. Queria ver mais gente traçando uma reta, e seguindo. Traçando metas, e alcançando cada uma delas. Gente que não espera cair do céu. Que gosta de coisas mais produtivas do que bestas. Entendo que ambição demais é defeito, ambição de menos, também. Pra tudo se tem uma medida.
A palavra do momento é "apatia". Porque anda faltando energia nas pessoas. Eu sei que as vezes falta. Porque tem dia que falta em mim também. Mas, mesmo cansada, mesmo com toda dificuldade, quando o cavalo passa selado, a gente monta. Porque ele não vai passar de novo. Então, temos duas escolhas: ou senta-se na varanda e assiste a vida acontecer, esperando que algo apareça na frente dos seus olhos; ou aventura-se no mundo correndo atrás daquilo que se quer pra sua vida. É tão óbvio saber o que é melhor que não consigo entender a lógica de se passar uma vida longa na varanda. Simplesmente não entendo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Desejo

Sem photoshop.

É essa sensação ai de cima que eu estou querendo: carro, estrada, sol, montanhas, paz, árvores. Só isso.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sonho

Acordou na manhã gélida, repeliu a preguiça, encarou com coragem. Engoliu o café com repulsa, olhou pro santo, desejou ter fé. Saiu pela rua desenfreado, entre carros e motocicletas, como se também tivesse motor. Tomou a brisa no corpo, gelou o coração. Correu sem destino, escreveu um livro, fez rotos planos. Viveu todos os dias de cada vez. Encarou cada ano como se fosse o último. Cortou na própria carne, sentiu prazer em cada dor, amou de olhos fechados, gritou. Sentiu a alma aquecer. Deu de ombros para inveja, para as pessoas, para a tristeza. Se olhou no espelho, sentiu orgulho de si mesmo. Da pele desbotada, do coração pulsante, do pulmão cansado. Decidiu que era assim que devia ser: muito tudo, tudo com intensidade. Nada de coisas amenas. Cada ato, um salto de pará quedas. Cada decisão, um pulo de uma cachoeira, o corpo quente, a água gelada. Era assim que devia ser: um choque. Aguentou a condenação, ouviu gritos de maluco. Soube que o chamavam irresponsável, não se importou. Absteu-se de viver nesse mundo e criou o seu próprio. Do seu jeito, à sua imagem. Se fez elástico, usou e abusou. Viveu. Como ninguém nunca teve coragem.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Jornalistão!

Do site da Globo:

- 15h35: ‘Sem receio’. O brasileiro Fernando Bastos Schnabl, cuja mulher, Christine Badre Schnabl, e o filho, Philipe, morreram no acidente do voo 447, negou que a família estivesse viajando separadamente por medo. "Nunca tivemos nenhum receio de viajar", afirmou.


O link aqui.




Querida Globo,

Primeiro espera-se a confirmação oficial de que a família da pessoa realmente morreu no acidente, depois, se dá a notícia.

Com carinho,

Lorena.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Triste constatação

Ontem eu ouvi duas vezes, de pessoas diferentes, uma frase que me deixa, digamos, um pouco triste. "A comunicação cria necessidades nas pessoas". Vindo de comunicólogos quase formados, meu deus, que pânico ouvir isso!
Acho que qualquer estudante de comunicação devia previamente saber que criar necessidades é algo impossível. Que a comunicação cria desejos em cima de necessidades pré-existentes... E é uma pena descobrir que nem todos comunicólogos sabem disso!
E como se não bastasse: "a sociedade influencia a mídia, ou a mídia influencia a sociedade?". Sinceramente, que curso essas pessoas estão fazendo? Onde elas estavam que não leram os textos que respondem à questionamentos assim? Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?
Não pára por aí: "a mídia aliena as pessoas! a tv e a internet deixam as pessoas compulsivas". Se você odeia a mídia, estuda comunicação pra quê, amiguinho?

Longe de mim fazer uma apologia a alienação. Mas, como disse um colega, pessoas compulsivas que passam 18h seguidas frente à um computador, poderiam ser compulsivas com qualquer outra coisa - religião, sexo, chocolate, etc. Aí deixa de ser problema nosso e passa a ser problema da psicologia. Tv geralmente é uma merda? Sim. Mas às vezes é bom? Sim! Tudo bem dosado, bem aproveitado, é bom e faz bem para as duas partes. Mas se você quer criar seus filhos longe de qualquer mídia, acho que ainda não entendeu o propósito do curso.

Estou em dúvida. Não sei se fico com pena de pessoas que frequentam a faculdade, mas não estudam e não aprendem, ou se choro, porque, querendo ou não, isso prejudica nossa imagem perante as pessoas que não entendem muito bem nossa área. Fica só uma certeza: tem gente que não nasceu pra trabalhar com comunicação.