quinta-feira, 16 de abril de 2009

Chato Isso!

Oquei. Cansou. A idéia barata de hipocrisia já deu o que tinha que dar. Vira o disco. Já cansou esse discurso de sempre, essa falsidade. O mundo tá louco, as pessoas tão pobres de espírito, já era.

Chato essa coisa de sempre: "sou super consciente da realidade do mundo que vivo". Consciente o caralho! Fala, fala, fala e faz porra nenhuma pra mudar o mundo! Do que adianta ter discurso e não fazer nada? Melhor ficar calado.

Cansativa essa história de gente que só diz - não faz. E mais chata ainda é dizer que não faz, que nem imagina - e faz todos os dias. Odeio essa coisa de gente certinha, hipócrita, que não assume sua cara como realmente é. São todos hipócritas. Putas na cama, damas na sociedade. Sujo, mas é verdade.



PS: Hoje vi isso lá no Bonito Isso, blog que faz honra ao nome que tem. Deu raiva e deu alegria. Tudo misturado. Alegria de ouvir aquela voz, linda. Raiva de ver gente que monta um circo às custas dos outros - que nem sabem que são eles próprios a atração principal: o palhaço. Chato ver isso. Aí vem um comunicólogo (sempre nós!) e resolve fazer disso um viral. Chato, again.

PS 2: Não, eu não sou boba. Eu só acho cruel usar as pessoas pra rirem delas. E não. Eu não acredito que a senhorinha tinha consciencia do que estava se passando.



Update: O link certinho.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

/Define

Estava lá no Exótico, e acabei parando aqui. Vi e vou copiar! Esse texto define tudo que eu penso sobre o assunto.

Um Deus que sorri

Martha Medeiros

Eu acredito em Deus. Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro. O Deus em que acredito não foi globalizado. O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono.
O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade. O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão. Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito só vale o que se está sentindo. O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem? O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.
É onde tudo acontece e tudo se resolve. Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio. É onipresente, mas não onipotente. Meu Deus é humilde. Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri. Quem não te sorri não é cúmplice.