E o ano re-começou. Re- porque todo ano é igual, apenas zera lá finalzinho e começa tudo de novo. E zerou. E re-começou. E eu que não zerei. Que continuei com os mesmos números, com os mesmos sonhos, com o mesmo olhar. Eu que sai e entrei ano com a mesma esperança bandida de fazer dar certo. De fazer amar. De fazer do amor sorte, e não solidão.
Eu que sem força vi as horas passarem, o relógio girar e num repente, já era 2009. Eu que vi a moça dançar, o bicho correr, o céu estrelar. Num repente, eu era eu de novo. E de novo eu era eu quem não queria ser. Não mais, não aqui.
E eu que tanto tinha - e tenho - pra falar, pra postar, calei. Emudeci. O teclado ficou longe, meus dedos desaprenderam a tocá-lo. Eu esqueci das palavras. E hoje, só hoje, re-aprendi. Re-aprendi no re-começo do velho ano.
E já é quase final do primeiro mês do re-começo. E tudo está velho demais. O mesmo ódio, a mesma hipocrisia. O mesmo Drummond e a mesma pedra no caminho. Teimosia! Insisto. Quero um outro re-começo. Sem flores, nem pedras. Com apenas sinceridade. Verdade.
Tem gente que não aprende. Que não sabe. Que não vê. Eu já vi, e não gostei. E, se é pra lá que a banda toca, me esquece, me deixa. Que eu vou pra longe. Vou pra lá, onde amor é realmente amor, e gratidão é gratidão. E coragem é coragem. Eu vou pra lá, esquecer disso aqui. Porque cansou, já foi. Não dá pra esperar água de uma mina que já secou... Feliz ano velho!